Relatório de iniciação científica: o que o parcial e o final precisam mostrar, como ligar objetivos a resultados e relatar o cronograma que atrasou.
Relatório de iniciação científica: o que o relatório parcial e o final precisam mostrar
O relatório de iniciação científica é o documento em que o bolsista ou voluntário mostra o que fez com o plano de trabalho aprovado: o que foi executado, o que deu resultado e o que mudou no caminho. Este guia mostra o que o relatório parcial e o final precisam conter, como ligar objetivos a resultados e como tratar o cronograma que atrasou.

Na iniciação científica, o relatório costuma ser o primeiro texto científico que o estudante escreve com prazo, modelo e avaliação formal. E ele chega, muitas vezes, no meio do semestre, junto com provas e trabalhos. O risco é escrever um diário de atividades sem resultado, ou um artigo que esquece o plano de trabalho aprovado.
Para escrever este guia, lemos a Portaria CNPq nº 2.539, de 17 de novembro de 2025, que regulamenta os programas institucionais de iniciação científica e tecnológica, o manual do bolsista publicado pelo CNPq e os editais PIBIC 2026/2027 da USP, da UFF e do CETEM. Para o seu relatório, valem o edital do seu programa e o modelo da sua instituição.
Quem define o que o relatório de iniciação científica deve ter
São três camadas. O CNPq regulamenta os programas institucionais, hoje pela Portaria nº 2.539/2025, que revogou os anexos da antiga Resolução Normativa 17/2006 sobre o tema. Entre os compromissos do bolsista, a portaria prevê apresentar os resultados no evento científico anual da instituição e entregar no prazo os relatórios de atividades solicitados pelo orientador. A vigência da bolsa é de no máximo 12 meses.
A segunda camada é o edital da instituição, que define prazos, modelo e consequências. A terceira é o orientador, que acompanha e, em muitos programas, aprecia o relatório antes de encaminhá-lo à comissão.
Editais ainda citam a norma antiga. Entre os editais 2026/2027 consultados, há os que mencionam a RN 17/2006 e os que já citam a Portaria 2.539/2025. Para o seu relatório, o que vale na prática é o texto do edital do seu programa.
As regras variam bastante entre instituições:
O que o relatório parcial precisa mostrar
O relatório parcial responde a uma pergunta: o plano de trabalho está andando? Ele não precisa de resultado conclusivo, mas precisa mostrar o que foi feito, com evidência. No edital da USP, as seções exigidas são as mesmas do final: título; nomes e contatos do aluno e do orientador; resumo; apresentação, com introdução, justificativa e objetivos; desenvolvimento, com metodologia e análise; conclusão; e referências.
Na prática, o parcial bom deixa claro:
- quais atividades do plano já foram feitas e quais estão em andamento;
- o que já foi produzido (revisão de literatura, coleta, protocolo, primeiros dados);
- os resultados preliminares, identificados como preliminares;
- as dificuldades e o que foi feito para contorná-las;
- o que falta e como será feito até o fim da vigência.
O que o relatório final precisa mostrar
O relatório final fecha o ciclo. Ele precisa permitir que a comissão veja o que foi pesquisado, como, e o que se encontrou. O edital da UFF fala em redação que permita verificar o acesso a métodos e processos científicos, e o do CETEM, em trabalho completo. Uma estrutura comum:
Alguns editais ligam o relatório a outras obrigações. No da USP, o bolsista atualiza o Currículo Lattes na entrega do final. Na maioria, há apresentação no evento anual, com resumo e pôster ou comunicação oral. Nesse caso, os números do pôster precisam ser os mesmos do relatório.
Coerência entre objetivos e resultados
É o ponto que a comissão olha primeiro, e o que o bolsista mais esquece. Cada objetivo específico do plano precisa ter um destino no relatório: foi alcançado, alcançado em parte ou não alcançado, e por quê.
Uma forma simples de conferir é montar, para você, uma tabela de três colunas: objetivo do plano, onde ele aparece nos resultados, situação. Exemplo fictício, de um projeto sobre qualidade da água de poços rasos numa comunidade rural:
Objetivo que some do relatório chama mais atenção do que objetivo não alcançado com explicação honesta. E resultado não previsto no plano pode entrar, desde que você diga que é um achado adicional.
Resultado negativo é resultado. Se a hipótese não se confirmou, relate assim. Ajustar dados ou omitir o que contrariou a expectativa compromete a integridade da pesquisa. O orientador é quem decide, com você, como apresentar o que não deu certo.
Cronograma que atrasou: como relatar
Atraso é comum: laboratório fechado, equipamento quebrado, comitê de ética que demorou, chuva que impediu a coleta. O problema não é atrasar, é não dizer. Compare duas formas de relatar o mesmo fato, no mesmo exemplo fictício:
A segunda versão informa o número, a causa, a nova data e onde está o ajuste. Se a mudança foi grande, como troca de método ou de objetivo, ela precisa ter sido combinada com o orientador e, conforme o edital, comunicada à comissão antes do relatório.
Escrita, citações e referências
O relatório é texto científico e segue as mesmas regras de qualquer trabalho acadêmico:
- verbos no passado para o que foi feito, e no presente para o que a literatura afirma;
- números com unidade e mesma casa decimal em todo o texto;
- tabelas e figuras numeradas, com título, fonte e chamada no texto;
- citação de toda ideia de outro autor, com a referência correspondente;
- um padrão só de referências, o do modelo ou da ABNT.
Se o relatório parcial já foi entregue, cuidado ao reaproveitar trechos no final: atualize o que mudou e não deixe frases como "os dados serão coletados" sobre algo já feito. Para conferir as fontes, veja como verificar uma referência. Sobre trechos semelhantes a outros textos, veja o guia de percentual de similaridade.
Checklist antes de enviar o relatório
- Li o edital e usei o modelo da instituição, com as seções e o limite de páginas pedidos.
- Título, nomes e programa estão iguais aos do plano aprovado.
- Cada objetivo do plano tem destino no relatório: alcançado, em parte ou não, com explicação.
- Mudanças de método ou de cronograma estão explicadas e foram combinadas com o orientador.
- Resultados preliminares estão identificados como tal no parcial.
- Números, tabelas e figuras batem entre texto, resumo e anexos.
- Toda citação está nas referências, e toda referência foi citada.
- O orientador leu a versão final antes do envio.
- O prazo e o sistema de envio estão confirmados.
Dúvidas frequentes
Todo programa exige relatório parcial?
Não. Entre os editais 2026/2027 consultados, a USP exige relatório parcial após seis meses, e a UFF e o CETEM preveem apenas o final. Confira no edital do seu programa.
O que acontece se eu atrasar o relatório?
Depende do edital. Nos consultados, há suspensão da bolsa até a entrega, cancelamento e até devolução de valores recebidos indevidamente, além de pendência para o orientador em editais futuros. Se houver risco de atraso, avise o orientador antes do prazo.
Voluntário também entrega relatório?
Em muitas instituições, sim: o voluntário tem plano de trabalho, relatório e apresentação, como o bolsista. Os prazos e o modelo estão no edital do programa voluntário da sua instituição.
Posso mudar o objetivo da pesquisa no meio do caminho?
Só com o orientador e, quando o edital exigir, com a comissão. No relatório, explique a mudança e o motivo. Não reescreva o objetivo como se o plano tivesse sido outro.
O relatório final pode virar artigo?
Pode servir de base, mas artigo tem outro formato, outro limite e regras da revista. Antes de submeter, confira as instruções do periódico e a autoria com o orientador.
Vocês escrevem o relatório para mim?
Não. A pesquisa e os resultados são seus e do seu orientador, e não criamos dado nenhum. Revisamos o texto pronto e conferimos os itens pedidos pelo edital, a coerência entre objetivos e resultados, as citações e as referências.
O envio no sistema da agência ou da instituição continua com você. A avaliação é do orientador e da comissão do programa.
Quando vale uma revisão externa
O relatório de iniciação científica costuma ser fechado na semana do prazo, entre provas. Uma leitura de fora mostra o objetivo que sumiu, o número que mudou entre a tabela e o resumo e a frase no futuro sobre a coleta que já aconteceu.
O serviço de revisão de projeto e relatório de iniciação científica faz essa conferência com o edital ao lado: revisa o texto, confere os itens do modelo, a coerência entre objetivos e resultados, o cumprimento do cronograma relatado, as citações e as referências. Para uma conferência rápida, há a Análise de projeto ou relatório de iniciação científica no app Análise Digital. Se você vai apresentar pôster no evento anual, veja também a revisão de pôster e banner científico.
Faça agora, no app
Já tem o documento? Envie para a análise digital: o relatório sai no app, com o que atende, o que ajustar e como, sem orçamento.
Quer o relatório conferido antes do envio?
Envie o texto, o plano de trabalho aprovado e o edital do seu programa. A análise indica o que será revisado, o prazo e o valor por escrito. Não tem custo e não gera contratação.
Conteúdo informativo, elaborado a partir da Portaria CNPq nº 2.539, de 17 de novembro de 2025, do manual do bolsista de iniciação científica e tecnológica publicado pelo CNPq e dos editais PIBIC 2026/2027 da USP, da UFF e do CETEM, consultados em outubro de 2026. Os exemplos são fictícios. O edital do seu programa e a orientação do seu orientador têm precedência, e a avaliação do relatório é do orientador e da comissão do programa.


