Relatório de estágio: o que a Lei 11.788 exige, estrutura pela NBR 10719 e pelo manual do curso, como descrever atividades e conferir a carga horária.
Relatório de estágio: estrutura, normas e erros que mais pedem correção
O relatório de estágio é o documento que comprova, para o professor orientador, o que você fez na empresa ou no órgão. Quando a carga horária não fecha, as atividades ficam vagas ou a estrutura foge do manual do curso, ele volta para correção. Este guia mostra como montar o relatório, descrever as atividades e conferir o texto antes da entrega.

Muita gente deixa o relatório para a última semana do estágio e escreve de memória. O resultado é conhecido: atividades descritas em uma linha, datas que não batem com o termo de compromisso e um texto que poderia ter sido escrito por qualquer estagiário de qualquer empresa.
Para escrever este guia, lemos a Lei 11.788/2008, que regula o estágio de estudantes, roteiros de bibliotecas sobre a ABNT NBR 10719:2015 (relatório técnico e/ou científico) e o manual de relatório de estágio de um instituto federal. Para o seu relatório, vale primeiro o manual do seu curso e o que o seu orientador pedir.
O que a Lei do Estágio diz sobre o relatório
A Lei 11.788/2008 define o estágio como ato educativo escolar supervisionado e o divide em obrigatório, quando a carga horária está no projeto do curso e é requisito para o diploma, e não obrigatório, quando é atividade opcional acrescida à carga horária regular.
O relatório aparece em três pontos da lei:
- a instituição de ensino deve exigir do estudante a apresentação periódica de relatório das atividades, em prazo não superior a seis meses (art. 7º, IV);
- o acompanhamento pelo professor orientador e pelo supervisor da concedente é comprovado por vistos nesses relatórios e pela menção de aprovação final (art. 3º, § 1º);
- a parte concedente deve enviar à instituição, com periodicidade mínima de seis meses, relatório de atividades, com vista obrigatória ao estagiário (art. 9º, VII).
Ou seja, há o relatório que você escreve e o que a empresa envia. Os dois falam do mesmo estágio e precisam contar a mesma história. Se a concedente registrou que você atuou no setor de compras, o seu relatório não pode dizer que você passou o período no atendimento.
Relatório e termo de realização são coisas diferentes. Ao final do estágio, a concedente entrega o termo de realização, com as atividades em resumo, os períodos e a avaliação de desempenho (art. 9º, V). Ele é um bom ponto de conferência: datas e setores do seu texto devem coincidir com os dele.
Manual do curso, NBR 10719 e edições das normas
Não existe um modelo nacional único de relatório de estágio. Cada curso define o seu, em geral num manual ou num modelo em arquivo editável. Muitos remetem à ABNT NBR 10719, a norma de relatório técnico e/ou científico, cuja edição vigente é de 2015. Outros adaptam a NBR 14724, de trabalhos acadêmicos.
Leia o manual inteiro antes de escrever, e repare no ano das normas que ele cita. O manual de um instituto federal que consultamos, por exemplo, ainda remete à NBR 10520 de 2002 para citações, que foi substituída pela edição de 2023, e à NBR 6028 de 2003 para resumo, hoje na edição de 2021. Quando o manual e a norma vigente divergem, pergunte ao orientador qual seguir. Quem avalia é ele.
Se a dúvida for sobre qual edição de cada norma vale hoje, veja o guia das normas ABNT em 2026.
Estrutura do relatório de estágio
Nos roteiros de bibliotecas sobre a NBR 10719:2015, a folha de rosto, o resumo, o sumário, a introdução, o desenvolvimento, as considerações finais e as referências aparecem como obrigatórios. Listas, agradecimentos, glossário, apêndices e anexos são opcionais. Os manuais de estágio costumam acrescentar seções próprias. Uma estrutura comum, que você deve ajustar ao seu manual:
Algumas instituições pedem a folha de aprovação logo depois da folha de rosto, com nota e visto do orientador. Outras pedem tabela de atividades com datas. Siga o que o seu curso descreve.
Como descrever as atividades sem ficar genérico
É na seção de atividades que a maior parte dos relatórios volta. O orientador quer ver o que você fez, e não a descrição do setor. Uma fórmula simples para cada atividade:
- verbo de ação no passado (conferi, elaborei, registrei, acompanhei);
- objeto concreto (pedidos de compra, prontuários, planilhas, laudos);
- volume ou frequência, quando houver (diariamente, 46 pedidos, duas vezes por semana);
- ferramenta ou procedimento usado;
- resultado ou destino do trabalho (para quem foi, o que permitiu fazer).
Veja um exemplo fictício, de uma estudante de Administração que estagiou no setor de compras de uma distribuidora:
A segunda versão é mais curta no adjetivo e mais longa no fato. E só pode ser escrita por quem anotou o que fez. Por isso, mantenha um diário de estágio desde a primeira semana: data, atividade, quantidade e observação. Dez minutos por dia poupam horas no fim.
Ligação com o curso
Muitos manuais pedem que o relatório relacione a prática com as disciplinas. Não basta citar o nome da matéria. Diga qual conceito apareceu na prática e como: "a curva ABC, vista em Administração de Materiais, era usada pelo setor para definir quais itens tinham cotação semanal". Se citar autor ou livro, a obra vai para as referências.
Identificação da concedente, do supervisor e da carga horária
São informações simples, mas aparecem em vários lugares do relatório e do processo de estágio. Basta uma divergência para o relatório voltar. Confira cada uma com o termo de compromisso, que a lei exige entre estudante, concedente e instituição de ensino (art. 3º, II):
A lei limita a jornada: no ensino superior, na educação profissional de nível médio e no ensino médio regular, até seis horas diárias e 30 semanais (art. 10, II). Se o seu relatório disser "oito horas por dia", o problema deixa de ser de texto.
Faça a conta. Exemplo fictício: termo de compromisso com 20 horas semanais por 15 semanas. Total: 300 horas. Se a introdução diz 300 horas, a conclusão diz 360 e a tabela de atividades soma 280, o orientador vai perguntar qual é o número certo. Confira o total uma vez e use o mesmo em todo o texto.
Os erros que mais pedem correção
Nas orientações de cursos e nos relatórios que costumam voltar, os problemas se repetem:
Sobre o histórico da empresa: se usar informações do site institucional, reescreva com suas palavras e indique a fonte. Para entender quando a semelhança com outro texto vira problema, veja o guia sobre percentual de similaridade.
Sobre sigilo: antes de incluir fotos, planilhas ou documentos internos, pergunte ao supervisor o que pode ser divulgado. Na dúvida, descreva o procedimento sem os dados.
Checklist antes de entregar
- Li o manual do curso inteiro e segui a estrutura e a ordem das seções.
- Concedente, supervisor, período e jornada estão iguais aos do termo de compromisso.
- O total de horas é o mesmo na introdução, na tabela e na conclusão.
- Cada atividade tem verbo de ação, objeto, frequência e resultado.
- A seção de atividades mostra a ligação com o curso.
- Não há dado sigiloso, nome de cliente ou foto sem autorização.
- Toda obra citada está nas referências, no padrão pedido.
- Sumário, numeração de páginas e títulos estão atualizados.
- Os campos de assinatura e visto estão no lugar indicado pelo modelo.
Dúvidas frequentes
Relatório de estágio segue qual norma da ABNT?
Não há uma só. Muitos cursos remetem à NBR 10719:2015, de relatório técnico e/ou científico. Outros usam a NBR 14724, de trabalhos acadêmicos, ou um modelo próprio. Vale o manual do seu curso.
Estágio não obrigatório também tem relatório?
Sim. A Lei 11.788/2008 manda a instituição de ensino exigir relatório periódico das atividades, em prazo não superior a seis meses, e não faz distinção entre obrigatório e não obrigatório nesse ponto. O formato pode ser mais simples: confira com a coordenação de estágio.
Posso escrever em primeira pessoa?
Muitos manuais aceitam e até preferem, porque o relatório descreve a sua experiência. Outros pedem impessoalidade. Siga o modelo do curso e mantenha a mesma escolha do começo ao fim.
Quantas páginas deve ter o relatório?
A lei não fixa tamanho, e a NBR 10719 também não. Quando há limite, ele está no manual ou no plano de ensino da disciplina de estágio. Na falta de limite, priorize atividades bem descritas a páginas de histórico da empresa.
Posso colocar fotos do local de estágio?
Só com autorização da concedente e, se aparecerem pessoas, das pessoas fotografadas. Evite telas de sistemas, documentos com dados de clientes e placas de identificação.
Vocês escrevem o relatório para mim?
Não. As atividades e a experiência são suas, e não inventamos nada. Revisamos o texto que você escreveu: linguagem, estrutura do manual, coerência das datas e da carga horária, citações e referências.
A ficha de frequência, o termo de compromisso e as assinaturas continuam com você, com o supervisor e com o orientador. A avaliação é do professor orientador.
Quando vale uma revisão externa
Quem escreveu o relatório sabe o que fez e, por isso, não percebe quando o texto não conta. Uma leitura de fora mostra a atividade vaga, o total de horas que mudou de uma seção para outra e a seção que o manual pede e ficou de fora.
O serviço de revisão de relatório de estágio faz essa conferência com o manual do curso ao lado: revisa o texto, confere a estrutura, a identificação da concedente e do supervisor, a carga horária, o sumário, as citações e as referências. Para uma conferência rápida, há a Revisão de relatório de estágio no app Análise Digital. Se o seu curso pede também apresentação oral, o guia sobre o que a banca pergunta pode ajudar.
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Já tem o documento? Envie para a análise digital: o relatório sai no app, com o que atende, o que ajustar e como, sem orçamento.
Quer o relatório conferido antes da entrega?
Envie o texto e o manual ou modelo do seu curso. A análise indica o que será revisado, o prazo e o valor por escrito. Não tem custo e não gera contratação.
Conteúdo informativo, elaborado a partir da Lei 11.788, de 25 de setembro de 2008 (arts. 1º, 2º, 3º, 7º, 9º e 10), de roteiros de bibliotecas sobre a ABNT NBR 10719:2015 e do manual de relatório final de estágio obrigatório do IF Baiano, consultados em outubro de 2026. Os exemplos são fictícios. O manual do seu curso e a orientação do professor orientador têm precedência, e a avaliação do relatório é decisão de quem orienta e da coordenação de estágio.


