Currículo em inglês: diferença entre résumé e CV, o que retirar do modelo brasileiro, verbos de ação, datas, nível de idioma e falsos cognatos comuns.
Currículo em inglês: résumé, CV e os erros de tradução que mais aparecem
Um currículo em inglês não é o currículo em português passado por um tradutor. Muda o nome do documento, muda o que entra e o que sai, muda a forma de escrever cada linha. Este guia mostra a diferença entre résumé e CV, o que retirar, como montar a estrutura e os erros de tradução que mais aparecem.

Quem se candidata a uma vaga no exterior, em uma multinacional no Brasil ou em um programa de trainee costuma partir do currículo que já tem. Abre o arquivo, traduz frase por frase e envia, com foto, estado civil e CPF no cabeçalho.
Para escrever este guia, consultamos em outubro de 2026 orientações de serviços de carreira de universidades dos Estados Unidos (Harvard e Universidade do Arizona), a página oficial do Europass, da União Europeia, e a descrição dos níveis de idioma do Conselho da Europa. As convenções variam de um país para outro, e quem decide o que espera receber é o empregador. Na dúvida, vale o que o anúncio da vaga pedir.
Résumé ou CV: o nome muda o documento
Nos Estados Unidos, as duas palavras indicam documentos diferentes. O serviço de carreira da Universidade do Arizona descreve o résumé como um documento de apresentação pessoal, de uma a duas páginas, centrado em competências e realizações. O CV (curriculum vitae) americano é o documento acadêmico, usado em universidades, pesquisa científica e área médica, mais longo e detalhado: formação, docência, pesquisas, prêmios e publicações.
Fora dos Estados Unidos, a mesma universidade observa que "CV" costuma ser o nome do currículo para quase qualquer vaga, e que esse CV internacional se parece mais com o résumé do que com o CV acadêmico americano. Na Europa, existe ainda o modelo Europass, um editor on-line oficial da União Europeia que permite criar o currículo em 31 idiomas.
A primeira decisão, portanto, não é de tradução: é saber para qual país e qual tipo de vaga o documento vai. O Currículo Lattes, por exemplo, não serve como CV acadêmico no exterior: é a base de onde o CV sai, em inglês e com seleção.
O que sai do currículo brasileiro
O guia de currículos de Harvard lista o que não fazer: incluir foto, idade ou estado civil, e usar pronomes pessoais como "I". A Universidade do Arizona explica que, em outros países, o empregador pode esperar mais dados pessoais e, em parte da Europa, da Ásia e do Oriente Médio, foto anexada. Por isso a regra prática é dupla: para os Estados Unidos, retire; para outros destinos, confira o costume local e o anúncio.
Estrutura do currículo em inglês, seção por seção
O formato mais comum é o cronológico reverso: em cada seção, o mais recente vem primeiro, como pede o guia de Harvard. Uma estrutura que atende à maioria das vagas profissionais:
- Header: nome, cidade e país, e-mail profissional, telefone com o código do país (+55) e o endereço do perfil do LinkedIn.
- Summary: duas ou três linhas com função, área, tempo de experiência e o que você entrega. Sem adjetivos que não se conferem.
- Experience: cargo, empresa, cidade e país, mês e ano de início e fim, e de três a cinco linhas de realizações.
- Education: grau, curso, instituição, país e ano de conclusão.
- Skills: ferramentas, métodos e sistemas, com os nomes que aparecem nos anúncios da sua área.
- Languages: cada idioma com o nível declarado de forma verificável.
- Certifications: só as que interessam à vaga, com instituição e ano.
Em vaga acadêmica, o CV acrescenta publicações, apresentações em eventos, bolsas, prêmios, orientações e docência.
Verbos de ação e linhas com resultado
O guia de Harvard recomenda começar cada linha de experiência com um verbo de ação e evitar a voz passiva. O vício mais comum na tradução é "responsible for", que descreve a cadeira e não o que você fez nela.
O exemplo é fictício, de uma analista de compras de uma indústria de alimentos. Repare em quatro mudanças: o verbo abre a linha, não há "I", o tempo verbal é o passado para o que já terminou, e cada linha tem escala (40 contratos, 3 fábricas). Para o cargo atual, use o presente.
Número só o verdadeiro e só o que pode ser divulgado. Faturamento, nomes de clientes e dados internos costumam ser sigilosos, e qualquer número do currículo pode virar pergunta na entrevista.
Erros de tradução que mais aparecem
Tradutores automáticos acertam a gramática da frase e erram o sentido profissional. Os erros abaixo aparecem com frequência em currículos traduzidos por brasileiros:
Siglas brasileiras também não se traduzem sozinhas. CLT, MEI, PJ, concurso público e regime estatutário não dizem nada a quem lê em outro país. Descreva o vínculo em palavras ("full-time employee", "independent contractor", "civil servant") e só quando a informação importar para a vaga.
Cargos, formação e datas no padrão do destino
Cargos
"Analista Pleno" e "Assistente II" são escalas internas, sem equivalente direto. Escreva o que a função faz, com o nome usado no mercado de destino, e deixe o nível transparecer pelas responsabilidades. Não promova o cargo na tradução: um "coordenador" que não tinha equipe não vira "manager".
Formação
Mantenha o nome da instituição no original e acrescente o país. Para cursos sem equivalente claro, descreva em vez de forçar um nome: uma especialização lato sensu pode aparecer como "Specialization in Project Management (lato sensu graduate program, Brazil)". Assim, quem lê entende o que é sem que você atribua ao curso um título que ele não confere.
Datas e números
Escreva mês por extenso ou abreviado e ano, no padrão "Mar 2021 to Jun 2024", como nos modelos de Harvard. A forma 03/04/2024 é lida como 4 de março nos Estados Unidos. Nos valores, o inglês usa ponto como separador decimal e vírgula para milhares: "R$ 1,2 milhão" vira "BRL 1.2 million".
Currículo não é tradução juramentada. O currículo é um texto seu, em inglês. Diplomas e históricos apresentados para visto, revalidação ou registro profissional podem exigir tradução oficial, conforme a regra do órgão do país de destino. São coisas diferentes.
Nível de idioma sem exagero
"Fluent English" em um currículo escrito com erros de inglês desmente a si mesmo.
Uma forma de declarar o nível que se confere é o Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR), do Conselho da Europa, que organiza a proficiência em seis níveis, de A1 a C2. Se você tem certificado de exame, informe o exame e o ano. Se não tem, use a escala com honestidade ou termos simples como "professional working proficiency", e não declare mais do que sustenta em uma entrevista no idioma.
- Com certificado: "English: C1 (exame e ano)".
- Sem certificado: "English: professional working proficiency".
- Língua materna: "Portuguese: native".
Checklist antes de enviar
- Defina o país e o tipo de vaga e, com isso, résumé ou CV.
- Retire foto, idade, estado civil e documentos, salvo costume local ou pedido do anúncio.
- Monte o cabeçalho com cidade, país, e-mail, telefone com +55 e LinkedIn.
- Escreva um resumo de duas ou três linhas, sem adjetivos genéricos.
- Comece cada linha de experiência com verbo de ação, sem "I".
- Confira o tempo verbal: passado para o que terminou, presente para o atual.
- Troque cargos internos por descrições de função, sem promover o cargo.
- Revise falsos cognatos e siglas brasileiras.
- Padronize datas no formato mês e ano e os números com ponto decimal.
- Declare o nível de idioma de forma verificável.
- Confira se cargos e datas batem com o perfil do LinkedIn.
- Peça a alguém com bom inglês que leia o arquivo final em voz alta.
Dúvidas frequentes
Posso usar o mesmo currículo em inglês para os Estados Unidos e para a Europa?
A base pode ser a mesma, mas confira os detalhes de cada destino: foto, dados pessoais e formato. Para vagas na União Europeia, veja se o anúncio pede o modelo Europass.
Quantas páginas deve ter o résumé?
Nas orientações consultadas, uma a duas páginas. Uma página para quem está no começo da carreira; duas quando a experiência justifica. O CV acadêmico não tem esse limite.
Devo traduzir o nome da universidade e da empresa?
Não. Mantenha o nome original e acrescente cidade e país. Se o nome não indicar o que a empresa faz, uma descrição curta entre parênteses ajuda.
Preciso de carta de apresentação em inglês?
Quando o anúncio pede, sim. O guia de Harvard recomenda que a carta não passe de uma página e que não abuse do pronome "I".
Posso escrever "fluent" se eu entendo bem, mas falo pouco?
Não é recomendável. Declare o nível que você sustenta em uma conversa. Se a compreensão é melhor que a fala, a escala do CEFR ou uma descrição honesta resolvem melhor do que um rótulo genérico.
Vocês garantem que o currículo vai gerar entrevista?
Não. A revisão trabalha formato, linguagem e coerência a partir das informações que você fornece, sem inventar experiência, curso ou nível de idioma. Chamar para entrevista e contratar são decisões de quem recruta.
Quando vale uma revisão externa
Revisar um texto em língua estrangeira sobre a própria carreira é difícil duas vezes: você conhece demais a experiência e de menos as convenções do país de destino. O falso cognato passa despercebido porque a frase parece certa.
O serviço de revisão de currículo em inglês para vagas internacionais revisa o currículo em inglês que você já tem, ou prepara a versão em inglês do seu currículo em português, no formato résumé ou CV, com datas e cargos no padrão do destino. Não é tradução juramentada. Se você também precisa de uma minibiografia para o perfil ou para eventos, veja a bio profissional e apresentação pessoal. Para uma conferência rápida, há a Análise de currículo em inglês no app Análise Digital.
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Já tem o documento? Envie para a análise digital: o relatório sai no app, com o que atende, o que ajustar e como, sem orçamento.
Quer o seu currículo em inglês conferido antes de se candidatar?
Envie o currículo atual, o anúncio da vaga e o país de destino. A análise indica o que será revisado, o prazo e o valor por escrito. Não tem custo e não gera contratação.
Conteúdo informativo, elaborado a partir do guia de currículos e cartas da Harvard Extension School (Office of Career Services, Universidade Harvard), da orientação do serviço de carreira da Universidade do Arizona sobre résumé e CV, da página do CV Europass (União Europeia) e da descrição dos níveis do CEFR (Conselho da Europa), consultados em outubro de 2026. As convenções variam por país, setor e empresa, e o anúncio da vaga tem precedência. Os exemplos são fictícios. A decisão sobre entrevista e contratação é de quem recruta.


