Carta de recomendação: o que escrever, estrutura e erros que enfraquecem a indicação
A carta de recomendação é um dos poucos documentos de uma seleção que o candidato não escreve. Quando ela só traz adjetivos, tem datas que não batem ou esquece o cargo de quem assina, perde força. Este guia mostra a estrutura, como usar exemplos e os erros mais comuns antes de assinar.

Quem recebe a carta lê dezenas de textos parecidos. O que se destaca é o específico: uma situação, um número, um contexto que só quem conviveu conhece.
Não há norma ABNT para esse tipo de carta. O que vale é o que o destino pede (edital, formulário ou orientação do programa) e as boas práticas de redação profissional. Se o destino tiver regra própria, ela tem precedência sobre este guia.
Estrutura de uma carta de recomendação
Quando o destino não fixa um formato, uma carta completa traz, nesta ordem:
- quem recomenda: nome, cargo, instituição e contato;
- quem é indicado e para que seleção, bolsa ou vaga;
- a relação entre as partes: contexto e há quanto tempo;
- os pontos fortes ligados ao que o destino avalia;
- exemplos concretos para cada ponto;
- uma avaliação honesta, com limites quando fizerem sentido;
- o fechamento, com disponibilidade para contato.
Uma página costuma bastar. Se o destino fixa limite de palavras, ele vale.
Fatos e exemplos no lugar de adjetivos
"Aluna dedicada e inteligente" cabe em qualquer carta. "Entregou o relatório do grupo de estudos com duas semanas de antecedência e coordenou a coleta de dados" só cabe em uma. Para cada ponto forte, pergunte: que situação eu vi que mostra isso?
Se você não consegue citar uma situação, talvez o ponto forte não deva estar na carta.
Tom e honestidade
Superlativos sem base enfraquecem a indicação, principalmente quando o texto traz dados que os contradizem. Uma frase como "a melhor aluna em trinta anos", numa carta que diz que o professor leciona há dez, perde a credibilidade inteira. Prefira uma comparação que você possa sustentar, ou nenhuma.
Um limite apontado com respeito (por exemplo, que a pessoa ainda está desenvolvendo a escrita em inglês) costuma dar mais confiança ao restante do texto.
Dados pessoais e sigilo
A carta não precisa de CPF, endereço, estado civil ou dados de saúde da pessoa indicada. Se o destino pede carta confidencial, o envio é feito por quem assina, pelo canal que ele indicar, sem passar pelo candidato.
Erros que enfraquecem a indicação
Checklist antes de assinar
- Li o que o destino pede e segui o limite e o formato.
- Meu nome, cargo, instituição e contato estão na carta.
- O nome do candidato e a seleção para a qual o indico estão corretos.
- O tempo de convivência é o mesmo em todo o texto.
- Cada ponto forte tem um exemplo que eu conheço.
- Não há superlativo que eu não possa sustentar.
- Não há dado pessoal que o destino não peça.
- Revisei acentos, concordância e pontuação.
- Sei por qual canal a carta deve ser enviada.
Dúvidas frequentes
Quantas páginas deve ter uma carta de recomendação?
Em geral, uma página. Se o destino fixa limite de palavras ou de páginas, vale o limite dele.
Posso aceitar escrever a carta se o candidato me mandar um rascunho?
Pode, desde que você leia e confirme cada afirmação, porque quem assina responde pelo conteúdo. Se algo não corresponde ao que você conhece, retire ou ajuste.
Preciso ter convivido muito tempo com a pessoa?
Não há tempo mínimo, mas a carta precisa dizer qual foi a relação e por quanto tempo. Quanto menor o convívio, mais importante é ser específico sobre o que você viu.
A carta pode ser em inglês?
Sim, se o destino pedir. Nesse caso, vale a revisão de quem domina o idioma, e a estrutura é a mesma.
Vocês escrevem a carta para mim?
Não. A carta é de quem assina. Revisamos o texto que você escreveu: estrutura, fatos, coerência, norma culta e dados pessoais.
Quando vale uma revisão externa
Quem escreve a carta sabe o que quis dizer e, por isso, não percebe quando o texto diz só adjetivos. Uma leitura de fora mostra a data que não bate, o superlativo sem base e o contato que ficou de fora.
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Conteúdo informativo, elaborado a partir de boas práticas de redação profissional e acadêmica, consultadas em novembro de 2026. Os exemplos são fictícios. As exigências do destino têm precedência, e a avaliação da candidatura é decisão de quem seleciona.

