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Prova discursiva de concurso: como a banca corrige a redação

Veja como a banca corrige a prova discursiva de concurso: critérios de conteúdo e de língua, desconto por erros, o que zera o texto e como treinar.

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Prova discursiva de concurso: como a banca corrige a redação

A nota da discursiva não sai de uma impressão geral do corretor. Ela é montada com critérios, pesos e descontos que o edital publica antes da prova. Este guia mostra onde essas regras ficam, como quatro bancas pontuaram em editais de 2024 a 2026, o que zera o texto e como treinar.

Atualizado em outubro de 2026 11 minutos de leitura Prova discursiva
Folha de texto definitivo de prova discursiva ao lado de um quadro com os critérios de correção e os pontos de cada um

Quem estuda para concurso costuma treinar a discursiva escrevendo sobre temas prováveis. Ajuda, mas resolve só metade do problema: o avaliador segue uma tabela, e ela muda de uma banca para outra e até entre editais da mesma banca.

Para este guia, lemos o capítulo da prova discursiva em editais de quatro bancas, publicados entre 2024 e 2026, além de um comunicado de critérios e de um espelho de respostas. Os exemplos trazem o órgão e o ano. A regra que vale para você é a do seu edital.

Onde o edital descreve a discursiva

A discursiva costuma ter capítulo ou item próprio no edital, depois das provas objetivas. Leia-o junto com as retificações e localize sete informações:

Tipo de texto
Redação dissertativa, questão discursiva, estudo de caso, peça ou parecer. No TRF da 3ª Região (FCC, 2024), técnicos fazem redação e analistas, estudo de caso com duas questões práticas.
Linhas
Máximo e, em parte dos editais, mínimo. São 20 a 30 linhas na redação do MPRJ (FGV, 2025) e até 90 na peça ou parecer de Procurador de Porto Velho (Cebraspe, 2026).
Tema
Dos conhecimentos específicos ou livre. O edital do TRF3 fala em "assunto de interesse geral não atrelado necessariamente ao Conteúdo Programático".
Quem é corrigido
Nos quatro editais lidos, a discursiva só é aplicada ou corrigida para quem foi aprovado na prova objetiva. Em três deles, há ainda um limite de candidatos ou de posição na classificação.
Critérios
O que vale ponto e quanto.
Nota mínima
No MPRJ, menos de 10 dos 20 pontos reprova. Na redação do TRF3, o mínimo é 6,00 em 10 na ampla concorrência. No TRE-TO (Instituto AOCP, 2025), 60% dos pontos, também na ampla concorrência.
Nota zero
As situações em que o texto nem chega a ser pontuado.

Leia as retificações. No MPRJ, o edital é de janeiro de 2025, mas a tabela de critérios em vigor veio na 2ª retificação, de março. Ela mudou o tipo de texto de dissertativo para dissertativo-argumentativo e passou a prever nota zero para a redação com menos de 20 linhas.

Os dois blocos da nota e o peso de cada um

Os nomes dos critérios variam, mas, nos editais lidos, eles cabem em dois blocos. O primeiro mede o que você disse: domínio do tema e resposta ao enunciado. O segundo mede como disse: estrutura, coesão e norma culta.

Cebraspe
Prefeitura de Porto Velho, Procurador (2026). A nota de conteúdo ocupa todos os pontos e já inclui a apresentação e a estrutura do texto. Erros de grafia, morfossintaxe e propriedade vocabular são contados à parte e descontados por fórmula.
FCC
TRF da 3ª Região, redação de Técnico (2024). Conteúdo, até 4 pontos; estrutura, até 3; expressão, até 3. A escala vai de 0 a 10.
FGV
MPRJ (2025). Estrutura textual global, 14 pontos: abordagem do tema, 4, e progressão textual, 10. Correção gramatical, 6 pontos. Total de 20.
Instituto AOCP
TRE-TO (2025). Conhecimento técnico, 20 pontos; língua portuguesa, 10. Total de 30, em uma questão de 10 a 30 linhas.

No MPRJ, a progressão textual, que é a ligação entre os parágrafos e o avanço das ideias, vale sozinha metade da prova. No TRE-TO, dois terços dos pontos estão no conhecimento técnico.

O desconto por erro também varia. Em um processo seletivo do Ministério da Cultura organizado pela FGV em 2024, o comunicado de critérios fixou dedução de 0,5 ponto por erro de seleção vocabular e de 0,2 ponto por erro de norma culta, em uma prova de 30 pontos.

Cebraspe: os erros são divididos pelas linhas

No edital de Procurador de Porto Velho, cada texto recebe uma nota de conteúdo (NC) e uma contagem de erros (NE). TL é o número de linhas efetivamente escritas pelo candidato:

  • Questão discursiva, de 5,00 pontos e até 15 linhas: NQi = NCi − 1 × NE ÷ TL.
  • Peça ou parecer, de 40,00 pontos e até 90 linhas: NPP1 = NC − 8 × NE ÷ TL.

NQi é a nota de cada questão e NPP1, a da peça ou parecer. Nesse edital, o multiplicador acompanha o valor do texto; confira o do seu. Resultado negativo vira nota zero.

Um cálculo fictício: peça com nota de conteúdo 31,00 e 12 erros de língua.

Em 40 linhas
8 × 12 ÷ 40 = 2,40. Nota: 31,00 − 2,40 = 28,60.
Em 80 linhas
8 × 12 ÷ 80 = 1,20. Nota: 31,00 − 1,20 = 29,80.

Os mesmos erros descontam o dobro no texto mais curto. Não é convite para encher linhas: o que foge do enunciado não soma conteúdo.

O que zera a prova

As hipóteses abaixo aparecem nos editais lidos, com variações de um para outro.

Fuga ao tema ou ao tipo de textoFugir ao tema é zero nos quatro editais. No MPRJ e no TRF3, fugir ao tipo de texto pedido também zera.
IdentificaçãoAssinatura, rubrica, nome ou marca fora do local indicado. Zero no MPRJ, no TRF3 e no TRE-TO; anulação da prova no edital do Cebraspe.
Lápis ou tinta fora do padrãoNo MPRJ, texto a lápis, no todo ou em parte, recebe zero. No TRE-TO, vale o mesmo para o lápis e para a tinta que não seja azul ou preta. O edital do Cebraspe exige tinta preta.
Letra ilegívelZero no MPRJ, no TRF3 e no TRE-TO.
Linhas abaixo do mínimoNo MPRJ, menos de 20 linhas escritas, sem contar o título, é zero. No TRF3, sair da faixa de 20 a 30 linhas traz perda de pontos.
Texto fora do espaçoO Cebraspe desconsidera o trecho fora do local apropriado ou além do máximo de linhas. No TRE-TO, recebe zero quem não apresenta o texto na Folha de Versão Definitiva.

Rascunho não é prova. Nos editais lidos, só conta o que foi passado para a folha de texto definitivo. Os do Cebraspe e da FGV avisam que ela não é substituída por erro do candidato.

Como ler o espelho de correção

Depois da prova, a banca costuma divulgar o que esperava encontrar. Nos editais lidos, o nome muda: padrão de resposta no do Cebraspe, espelho de correção no da FGV, grade de correção no da FCC.

Um exemplo real: no espelho do concurso de Promotor de Justiça do MPMA, de 2025 (Instituto AOCP), a peça processual da primeira prova vale 5,00 pontos, em quatro critérios: acerto das respostas, 2,00; grau de conhecimento sobre o tema, 1,50; fluência e coerência da exposição, 1,00; uso correto do idioma, 0,50. O acerto das respostas é dividido em itens: o endereçamento vale 0,10 e a indicação do nome da medida, 0,20.

Para ler um espelho:

  • Liste os quesitos: anote cada item esperado e quanto vale. Parte dos pontos costuma estar em itens simples.
  • Localize no seu texto: marque onde cada quesito aparece. Item que não está escrito não pontua.
  • Confira a língua: veja se há contagem de erros, faixa de ocorrências ou dedução fixa.

Plano de texto em poucos minutos

Se a banca pontua por quesito, o texto precisa deixar cada quesito fácil de achar. O plano cabe no rascunho:

  • Enunciado: sublinhe os verbos de comando e numere cada aspecto pedido.
  • Tese: escreva em uma frase a resposta central. Ela abre a introdução.
  • Desenvolvimento: um parágrafo por aspecto do enunciado, na mesma ordem, com a palavra-chave do aspecto logo no início.
  • Conclusão: duas ou três linhas que retomam a tese, sem ideia nova.
  • Linhas: distribua o espaço antes de escrever.

Um exemplo fictício. O enunciado pede o conceito de controle interno e a diferença em relação ao controle externo:

AntesDesde os primórdios, o controle é muito importante para a sociedade. Nos dias de hoje, a administração pública enfrenta muitos desafios, e o controle interno ajuda bastante a resolver vários deles.
DepoisO controle interno é o conjunto de procedimentos que o próprio órgão adota para verificar a legalidade e a eficiência dos seus atos. Diferencia-se do controle externo, exercido pelo Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas, porque atua de dentro da estrutura administrativa.

O primeiro parágrafo não entrega nenhum dos dois itens pedidos. O segundo entrega os dois, com os termos do enunciado à vista.

Rotina de treino com tempo e linhas

Treinar em condição diferente da prova esconde dois problemas: falta de tempo e falta de linhas.

  • Folha: use uma folha pautada com o número de linhas do edital.
  • Caneta: escreva à mão, com a caneta do tipo exigido.
  • Relógio: defina quanto do tempo da prova vai para a discursiva e cronometre plano, rascunho e transcrição.
  • Tema: use provas anteriores da mesma banca com padrão de resposta publicado.
  • Correção: pontue o próprio texto pelo padrão, quesito por quesito, e conte os erros de língua.
  • Registro: liste os erros que se repetem, como crase, vírgula ou concordância, e releia a lista antes do treino seguinte.

Checklist da discursiva

  • Li o capítulo da discursiva e as retificações do edital.
  • Sei o tipo de texto, o mínimo e o máximo de linhas.
  • Sei quanto valem o conteúdo e a língua, e como os erros são descontados.
  • Conheço as hipóteses de nota zero.
  • Treinei à mão, com tempo, linhas e caneta da prova.
  • Meu plano cobre todos os aspectos do enunciado, na ordem pedida.
  • A folha definitiva não tem assinatura, rubrica nem marca fora do lugar.

Dúvidas frequentes

A banca desconta ponto por erro de português?

Nos editais lidos, sim, de formas diferentes. Há edital com fórmula que divide os erros pelas linhas escritas, como o do Cebraspe para Porto Velho (2026), e edital com pontos próprios para a língua, como os 6 de 20 do MPRJ e os 10 de 30 do TRE-TO.

Escrever menos que o máximo de linhas tira ponto?

Nos editais lidos, ficar abaixo do máximo, em si, não. O risco está no mínimo: no MPRJ, menos de 20 linhas é nota zero, e no TRF3 sair da faixa de 20 a 30 linhas traz perda de pontos.

O título conta como linha?

Depende do edital. No MPRJ, o mínimo de 20 linhas é contado sem o título, quando houver. Onde o edital não trata do assunto, não conte com o título para atingir o mínimo.

O rascunho pode ser corrigido se eu não terminar de passar a limpo?

Nos editais lidos, não: só o texto definitivo é avaliado. Reserve tempo para a transcrição.

Posso pedir a revisão da nota?

O edital prevê prazo e forma para recurso. Antes de decidir, leia o padrão de resposta ou o espelho. A MecenaSTD não elabora recurso.

Vocês escrevem a redação ou garantem a nota?

Não. O texto é do candidato. Revisamos e comentamos a redação de treino: aderência ao enunciado, estrutura, coesão, norma culta e regras do edital.

A nota é atribuída pela banca examinadora, e a classificação depende também da concorrência.

Quando vale uma revisão externa

Quem escreveu o texto tende a ler o que quis dizer, não o que está na página. É assim que o quesito esquecido e o erro repetido passam pelas releituras do próprio autor.

O serviço de revisão de redação discursiva para concursos faz essa leitura de fora, com o edital e o enunciado ao lado, e devolve o texto comentado por critério. Para organizar o estudo, há o resumo de edital e plano de estudos. Se o concurso tiver avaliação de títulos, veja o artigo sobre por que certificado válido deixa de pontuar.

O app Análise Digital da MecenaSTD também tem uma análise rápida de redação discursiva, que serve de conferência antes de um novo treino.

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Envie a redação, o enunciado e o edital do concurso. A análise indica o que será revisado, o prazo e o valor por escrito. Não tem custo e não gera contratação.

Conteúdo informativo, elaborado a partir do Edital nº 1 da Prefeitura de Porto Velho para Procurador do Município (Cebraspe, 2026), do Edital nº 01/2025 do MPRJ e de sua 2ª retificação (FGV), do comunicado de critérios de correção do PSS/MinC nº 1/2024 (FGV), do Edital nº 01/2024 do TRF da 3ª Região (FCC), do Edital nº 1/2025 do TRE-TO (Instituto AOCP) e do espelho de respostas do concurso do MPMA de 2025 (Instituto AOCP). Critérios, pesos e hipóteses de nota zero mudam a cada edital, que tem precedência sobre qualquer orientação geral. A correção e a nota são decisão da banca examinadora.