Método, sigilo e responsabilidade

Revisão documental, do TCC à licitação.

Revisão e conferência de documentos em quatro áreas:

Escopo, prazo e valor por escrito antes de começar. Sigilo e autoria preservados.

Pré-projeto de mestrado: estrutura, tamanho e erros comuns

Pré-projeto de mestrado: o que os editais pedem, a estrutura e o tamanho que a banca espera e os erros que eliminam ou tiram pontos, com checklist.

Seleção de pós-graduação

Pré-projeto de mestrado: estrutura, tamanho e erros comuns

O pré-projeto é o documento em que a banca mede se a pesquisa cabe no programa e no prazo do curso. Parte dos candidatos sai da seleção antes disso, por uma página a mais, um nome no arquivo ou uma linha de pesquisa sem vaga. Este guia reúne o que os editais pedem, a estrutura que a banca espera e os erros que mais custam pontos.

Atualizado em outubro de 2026 11 minutos de leitura Pré-projeto de pesquisa
Pré-projeto de mestrado aberto sobre a mesa, com a estrutura do texto e um cronograma em destaque

Quem prepara um pré-projeto de mestrado costuma gastar quase todo o tempo com o tema. É compreensível: o tema é a parte interessante. Só que a seleção começa antes, em uma conferência formal que não avalia ideia nenhuma.

Para escrever este guia, lemos dez editais de seleção de mestrado e doutorado de sete universidades públicas, com ingresso entre 2026 e 2027. As regras variam mais do que se imagina, e é justamente por isso que o primeiro passo é sempre o mesmo: ler o edital do seu programa com uma caneta na mão.

O que o edital pede, na prática

Não existe um padrão nacional de pré-projeto. Cada programa define o tamanho, a formatação, as seções e a forma de avaliação. Nos editais que lemos, as diferenças aparecem em quase todos os pontos.

Tamanho
No mestrado, o limite foi de 4 páginas (um plano de pesquisa em Computação) a 20 páginas (um programa de Filosofia). A faixa mais comum ficou entre 10 e 12. Alguns editais fixam também um mínimo.
O que conta
Em parte dos editais as referências entram na contagem de páginas; em outros, ficam de fora junto com a capa. Um deles conta até a capa.
Formatação
Fonte tamanho 12 e espaçamento 1,5 predominam, mas há edital com espaçamento simples e edital com Arial 10. As margens também mudam de um programa para outro.
Anonimato
Na maioria, o projeto é avaliado às cegas: o arquivo não pode trazer o nome nem qualquer pista de quem escreveu.
Linha de pesquisa
Quase todos exigem ou pontuam o vínculo com uma linha do programa. Alguns pedem a indicação de um docente como possível orientador.
Nota de corte
Na maior parte dos editais lidos, 7,0 (ou 70 pontos) na etapa do projeto.

O edital vale mais que a norma. A ABNT tem uma norma para projeto de pesquisa, a NBR 15287, com edição nova de 2025. Ela prevê folha de rosto e sumário como elementos obrigatórios. Há edital que pede o contrário: sem capa nem folha de rosto, e com limite de páginas apertado. Quando o edital e a norma divergem, siga o edital.

A estrutura que quase todo edital cobra

Os nomes das seções mudam, mas o núcleo se repete. É o mesmo que a NBR 15287:2025 lista como parte textual do projeto: tema, problema, hipótese quando couber, objetivos, justificativa, referencial teórico, metodologia, recursos e cronograma, seguidos das referências.

Problema
Uma pergunta que a pesquisa vai responder, delimitada no tempo, no espaço e no objeto. É o que separa um tema de um projeto.
Justificativa
Por que a pergunta merece resposta e que lacuna existe no que já foi publicado. Não é o lugar de contar a trajetória pessoal.
Objetivos
Um objetivo geral, que responde ao problema, e objetivos específicos, que são as etapas para chegar lá. Cada um com um verbo que se possa conferir no final.
Referencial teórico
Os autores e conceitos que sustentam a pergunta, com produção recente da área e, de preferência, diálogo com a linha de pesquisa escolhida.
Metodologia
O que será feito, com que material ou com quem, como os dados serão coletados e como serão analisados.
Cronograma
As etapas distribuídas no prazo do curso, incluindo disciplinas, qualificação e defesa.
Referências
Somente as obras citadas no texto, no padrão que o edital indicar.

Algumas áreas acrescentam itens próprios. Entre os editais lidos, um programa da área de saúde pede orçamento; um de História pede a descrição do corpus documental; programas de saúde e de engenharia costumam pedir hipótese e resultados esperados.

O fio que a banca procura

Um pré-projeto bem avaliado pode ser lido em linha reta: o problema gera o objetivo geral, cada objetivo específico tem um procedimento na metodologia, e cada procedimento ocupa um período no cronograma. Quando um desses elos falta, a banca percebe na primeira leitura.

O teste é simples. Pegue cada objetivo específico e procure, na metodologia, como ele será alcançado. Depois procure, no cronograma, quando.

Fio partidoObjetivo: "analisar a percepção dos servidores sobre o teletrabalho". Metodologia: "pesquisa bibliográfica e documental". Ninguém será ouvido, então a percepção não tem como ser analisada.
Fio inteiroMesmo objetivo. Metodologia: "entrevistas semiestruturadas com 12 servidores de duas unidades, analisadas por categorias temáticas". Cronograma: roteiro, coleta e análise em meses definidos.

O exemplo é fictício, mas o padrão é frequente: o objetivo promete uma coisa e o método entrega outra.

Erros que eliminam antes da leitura

São falhas formais. Não dependem da qualidade da ideia e, em vários editais, não admitem correção depois da inscrição.

Identificação em projeto anônimo

Quando a avaliação é às cegas, o nome no arquivo é o erro mais óbvio, mas não o único. Um edital da UFMG para 2026 lista como quebra de anonimato a citação do nome do ex-orientador, a menção a grupo de pesquisa a que o candidato pertence, a referência a artigos de autoria própria e até marcas de revisão deixadas no texto.

As consequências previstas são duras. Em um edital de Direito da UnB, projeto com indicação de autoria leva à não homologação da inscrição. Em outros, a previsão é de eliminação automática.

Limite de páginas e formatação

No mesmo edital da UnB, desrespeitar o limite de páginas está entre os casos de nota zero. No edital da UFMG, projeto fora da formatação pedida não é avaliado e o candidato é desclassificado. Meia página a mais, causada por uma margem diferente da exigida, pode bastar.

Linha de pesquisa sem vaga ou sem aderência

Apresentar o projeto para uma linha que não oferece vaga naquele edital, ou sem conexão real com a linha indicada, também aparece como causa de nota zero ou de desclassificação. Em um edital de Engenharia de Produção da UFSC, projeto sem aderência ao tema escolhido recebe zero e o candidato é reprovado.

Plágio

Parte dos editais prevê desclassificação para trecho copiado sem indicação da fonte. Vale para o referencial teórico inteiro, inclusive para paráfrase muito próxima do original.

Antes de gerar o PDF. Confira o nome do arquivo, as propriedades do documento (o campo "autor" costuma trazer o seu nome), cabeçalhos, rodapés, agradecimentos, comentários e marcas de revisão. Em avaliação às cegas, qualquer um desses pontos pode identificar você.

Erros que tiram pontos

Aqui o projeto é lido, mas perde nota em critérios que se repetem de um edital para outro.

Tema no lugar do problema"A educação a distância no ensino superior" é um tema. O problema é a pergunta que cabe dentro dele e pode ser respondida no prazo do curso.
Objetivo que não se confereVerbos como "refletir sobre" e "compreender melhor" não deixam claro o que será entregue ao final.
Metodologia genérica"Pesquisa qualitativa, de caráter exploratório" classifica, mas não diz o que será feito, com que fontes e como será a análise.
Referencial de manualSó livros introdutórios, sem artigos recentes e sem diálogo com o que a linha de pesquisa publica.
Cronograma que não fechaEtapas que somam mais do que o prazo do curso, ou que esquecem disciplinas, qualificação e trâmites de ética.
Aderência só declaradaCitar o nome da linha na capa não demonstra vínculo. A conexão precisa aparecer no problema e no referencial.

Como a nota é formada

Muitos editais publicam o barema, e ele mostra onde está o peso. Dois exemplos, entre os editais lidos:

  • UFSC, Engenharia de Produção (ingresso 2026): referencial teórico e métodos valem 20% cada; problema, resultados esperados e plano de atividades com cronograma, 15% cada; objetivos, 10%; formatação e aderência ao modelo, 5%.
  • UFMG, Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto (seleção 2026): aspectos metodológicos, 30%; justificativa, 25%; viabilidade de execução no prazo do curso, 25%; coerência com as linhas do programa, 20%.

Nos dois casos, a metodologia e a viabilidade pesam tanto quanto a relevância do tema, ou mais. Se o barema do seu edital está publicado, use-o como roteiro de revisão: releia o projeto critério por critério e veja onde um avaliador encontraria a resposta.

Ética e prazo: dois pontos esquecidos

Pesquisa com pessoas

Entrevista, questionário, observação e uso de dados identificáveis são pesquisa com seres humanos. No Brasil, o tema é regulado pelas Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde e pela Lei nº 14.874/2024, que exigem análise ética antes do início da coleta. Há exceções, como a revisão de literatura e a pesquisa feita só com informações de acesso público.

Nenhum dos editais que lemos pede parecer de comitê de ética na inscrição. Ainda assim, um projeto que prevê entrevistas e não reserva tempo para essa etapa deixa uma dúvida sobre a viabilidade. Uma frase na metodologia e uma linha no cronograma resolvem. As regras estão em fase de transição, então o comitê de ética da instituição é a fonte para o procedimento atual.

O prazo do curso

É comum planejar o mestrado em 24 meses e o doutorado em 48. Esses são os prazos máximos das bolsas da CAPES e os adotados por muitos programas, mas o prazo do curso é o do regulamento de cada instituição, e ele varia. Monte o cronograma com o número que consta no regulamento do seu programa.

Checklist antes de enviar

  • O número de páginas está dentro do limite, contando (ou não) as referências como o edital manda.
  • Fonte, espaçamento e margens são os do edital, não os do modelo que você usou como base.
  • Todas as seções exigidas existem, com os nomes que o edital usa.
  • O problema está escrito como pergunta ou pode ser lido como uma.
  • Cada objetivo específico tem procedimento na metodologia e período no cronograma.
  • O cronograma cabe no prazo do curso e inclui qualificação e defesa.
  • Toda obra citada está nas referências, e toda referência foi citada.
  • Se a avaliação é às cegas, o arquivo não identifica você em nenhum ponto.
  • A linha de pesquisa indicada oferece vaga neste edital.

Dúvidas frequentes

Qual é a diferença entre pré-projeto e projeto de pesquisa?

Na prática, os editais usam os dois nomes para o mesmo documento da seleção, além de "anteprojeto" e "plano de pesquisa". O pré-projeto é a versão apresentada para ingressar no curso; o projeto definitivo costuma ser desenvolvido depois, com o orientador, e pode mudar bastante.

Quantas páginas deve ter um pré-projeto de mestrado?

O que o edital fixar. Nos editais que lemos, o limite no mestrado foi de 4 a 20 páginas, com a maior parte entre 10 e 12. Verifique também se há número mínimo e se as referências entram na contagem.

Preciso seguir a ABNT no pré-projeto?

Siga primeiro o edital. Quando ele manda usar as normas da ABNT, valem a NBR 15287:2025 para a estrutura do projeto, a NBR 10520:2023 para as citações e a NBR 6023:2025 para as referências. Quando o edital fixa formatação própria, ela prevalece.

Posso citar meu TCC ou meus artigos no projeto?

Se a avaliação for às cegas, cuidado: há edital que trata a referência a trabalho de autoria própria como quebra de anonimato. Leia a regra do seu edital. Quando a citação for indispensável, faça em terceira pessoa, como faria com qualquer outro autor, e só se o edital não proibir.

Preciso indicar o orientador?

Depende do programa. Alguns exigem a indicação de um docente e não homologam a inscrição sem ela; outros pedem apenas a linha de pesquisa; outros proíbem qualquer menção. Em todos os casos, conhecer o que os docentes da linha pesquisam ajuda a demonstrar aderência.

Vocês escrevem o pré-projeto para mim?

Não. A ideia, o problema e as escolhas teóricas e metodológicas são do candidato. O que fazemos é revisar o texto pronto: conferência com o edital, coerência entre problema, objetivos, método e cronograma, linguagem, citações e referências.

A aprovação depende da banca e da concorrência, e nenhuma revisão garante resultado.

Quando vale uma revisão externa

Quem escreveu o projeto conhece o que quis dizer e tende a ler o que pensou, não o que está na página. É por isso que o objetivo sem método e o cronograma que não fecha passam por várias releituras do próprio autor.

O serviço de revisão de pré-projeto de mestrado e doutorado faz essa leitura de fora: confere o texto com o edital do programa, aponta os elos que faltam e revisa linguagem, citações e referências. O conteúdo da pesquisa continua sendo seu.

Faça agora, no app

Ainda não tem o documento? Informe os dados no app e baixe o documento pronto em Word, logo após o pagamento, sem orçamento. Só entra o que você informa. Se já tem uma versão, a análise digital mostra o que ajustar.

Quer uma conferência do pré-projeto antes da inscrição?

Envie o texto e o edital do programa. A análise indica o que será revisado, o prazo e o valor por escrito. Não tem custo e não gera contratação.

Conteúdo informativo, elaborado a partir da leitura de editais públicos de seleção de programas de pós-graduação da UFG, UnB, UFMG, UFSC, UFPE, USP e Unicamp, com ingresso entre 2026 e 2027, e de materiais de bibliotecas universitárias sobre a NBR 15287:2025. As regras mudam a cada edital: o edital e o regulamento do programa em que você vai se inscrever têm precedência sobre qualquer orientação geral. Este texto não garante aprovação nem substitui a orientação do programa.