Método, sigilo e responsabilidade

Revisão documental, do TCC à licitação.

Revisão e conferência de documentos em quatro áreas:

Escopo, prazo e valor por escrito antes de começar. Sigilo e autoria preservados.

Linguagem simples no serviço público: como reescrever um texto administrativo

Linguagem simples no serviço público: o que a Lei 15.263/2025 pede, método em seis passos e exemplo fictício de texto administrativo reescrito.

Redação oficial

Linguagem simples no serviço público: como reescrever um texto administrativo

Linguagem simples no serviço público não é escrever de modo informal nem tirar o fundamento legal do texto. É escrever para que o cidadão encontre, entenda e use a informação na primeira leitura. Desde novembro de 2025, isso é política nacional. Este guia mostra o que a lei pede e um método em seis passos, com um exemplo fictício de texto administrativo reescrito.

Atualizado em outubro de 2026 10 minutos de leitura Linguagem simples
Texto administrativo antes e depois da reescrita em linguagem simples, com a informação principal no início, frases curtas e lista de próximos passos

"Comunicamos a Vossa Senhoria que, em atenção ao requerimento protocolado sob o número em epígrafe, após análise da documentação acostada, restou constatada a ausência dos requisitos...". Quem recebe um texto assim lê duas vezes, liga para o atendimento e pergunta: "mas foi aprovado ou não? E o que eu faço agora?". Cada ligação dessas custa tempo da equipe e do cidadão.

Reescrever em linguagem simples não é baixar o nível do texto. A informação continua completa, o fundamento continua citado, o prazo continua exato. O que muda é a ordem, o tamanho das frases e a escolha das palavras. É um trabalho de edição que qualquer servidor pode aprender, e este artigo mostra como.

O que é linguagem simples no serviço público

Linguagem simples é um conjunto de técnicas de escrita e organização do texto voltado para quem vai ler. O teste é prático: a pessoa a quem o texto se destina consegue, na primeira leitura, encontrar a informação de que precisa, entender o que ela significa e saber o que fazer em seguida?

Três confusões comuns:

  • Não é linguagem informal. O texto continua respeitoso e impessoal. Gírias, intimidade e brincadeiras não entram.
  • Não é resumo que omite. Tudo o que o cidadão precisa saber continua no texto, inclusive o fundamento e os prazos.
  • Não é só trocar palavras difíceis. A maior parte do ganho vem de mudar a ordem: o que mais importa vai primeiro.

O que a lei de linguagem simples pede

A Lei 15.263, de 14 de novembro de 2025, instituiu a Política Nacional de Linguagem Simples. Ela se aplica aos órgãos e entidades da administração pública direta e indireta de todos os Poderes, na União, nos estados, no Distrito Federal e nos municípios, nas comunicações com a população. A lei entrou em vigor na data da publicação.

Entre os objetivos da lei estão garantir o uso da linguagem simples na comunicação com o cidadão, permitir que ele encontre, entenda e use as informações públicas, reduzir custos e tempo de atendimento e facilitar a compreensão por pessoas com deficiência. O art. 5º lista técnicas de redação. Entre elas:

Frases curtas e em ordem diretaSujeito, verbo e complemento, sem intercalações longas.
Uma ideia por parágrafoParágrafos curtos, cada um com um assunto.
Palavras comunsAs que o público usa no dia a dia, em vez de jargão.
Siglas explicadasO nome completo antes da sigla.
Voz ativaQuem faz a ação aparece na frase.
O mais importante primeiroA informação principal no início do texto.
Texto esquematizadoListas, tópicos e títulos quando ajudam a leitura.
Teste com o públicoVerificar se quem vai ler entende o texto.

A ideia não é nova. A Lei 13.460/2017, sobre os direitos dos usuários de serviços públicos, já previa a utilização de linguagem simples e compreensível, evitando siglas, jargões e estrangeirismos (art. 5º, XIV). No Judiciário, a Recomendação 144/2023 do Conselho Nacional de Justiça orienta tribunais e conselhos no mesmo sentido. Cada ente e cada Poder podem definir diretrizes complementares, então vale procurar o guia ou a norma interna do seu órgão.

Como reescrever um texto administrativo em seis passos

1. Leitor e tarefa
Escreva em uma linha quem vai ler e o que essa pessoa precisa fazer depois. Exemplo: "Requerente de isenção; precisa saber a situação do pedido e o que enviar."
2. Resposta primeiro
A primeira frase traz a informação principal: aprovado, negado, pendente, o que mudou. O contexto vem depois.
3. Cortar
Retire o que não ajuda o leitor: saudações longas, repetições, "em epígrafe", "acostado", "outrossim". Mantenha o que ele precisa.
4. Ordem direta
Quebre frases longas. Uma ideia por frase, com quem faz a ação no início. "Foi constatada a ausência" vira "Faltou o documento X".
5. Esquematizar
Passos, documentos e prazos em lista numerada ou com marcadores. Datas exatas, e não "no prazo legal".
6. Testar
Peça a alguém de fora do setor para ler e responder: "o que aconteceu e o que você faria agora?". Se a resposta errar, o texto ainda não está pronto.

Exemplo fictício: resposta a um pedido de isenção

A Secretaria de Fazenda do município fictício de Rio Manso avisava os requerentes de isenção de taxa sobre documentos pendentes com o texto abaixo. O setor de atendimento recebia muitas ligações de pessoas que não entendiam o resultado.

Antes"Comunicamos a Vossa Senhoria que, em atenção ao requerimento protocolado sob o número em epígrafe, após análise da documentação acostada aos autos, restou constatada a ausência do comprovante de renda exigido pela legislação municipal pertinente, razão pela qual o pleito encontra-se sobrestado, facultando-se ao interessado a complementação da documentação no prazo regulamentar, sob pena de arquivamento."
DepoisSeu pedido de isenção nº 2026/0318 está parado porque falta um documento.
Falta: comprovante de renda, exigido pela Lei Municipal nº 000/2024, art. 3º.
O que você precisa fazer:
1. Enviar o comprovante de renda até 30/11/2026.
2. Entregar no protocolo da Secretaria ou pelo site da prefeitura.
Se o documento não chegar até essa data, o pedido será arquivado.
Dúvidas: telefone (00) 0000-0000, de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Repare no que mudou. O resultado foi para a primeira linha. "Legislação municipal pertinente" virou a norma citada pelo número (no exemplo, um número fictício). "No prazo regulamentar" virou uma data. O que o cidadão precisa fazer, que estava escondido no fim de uma frase longa, virou uma lista com data, local e canal, e a consequência do arquivamento ficou explícita. O texto ficou mais curto e mais completo ao mesmo tempo. O município, o número do pedido e os contatos são fictícios.

O prazo, o canal e o fundamento vêm do setor responsável. A reescrita não decide nada: ela torna visível o que já foi decidido. Prazos, local de protocolo e norma aplicável devem ser confirmados por quem tem a atribuição antes de o texto ser publicado ou enviado.

O que não muda com a linguagem simples

  • A decisão. O texto comunica o que foi decidido, com o mesmo conteúdo.
  • O fundamento. A norma continua citada pelo número, ano e artigo, de preferência com uma frase dizendo o que ela exige.
  • A formalidade do documento. Ofício, despacho e notificação mantêm número, data, assinatura e as partes exigidas pelo manual da instituição.
  • A precisão. Termo técnico necessário fica, explicado na primeira vez em que aparece.
  • Os prazos e valores. Continuam exatos, agora mais visíveis.

Para a estrutura formal do ofício, o artigo como escrever um ofício: estrutura, prazo e tom complementa este guia. Para avisos à equipe, veja comunicado interno e e-mail institucional.

Trocas comuns em textos administrativos

Uma lista curta de expressões que aparecem muito e podem ser simplificadas sem perda, em ordem alfabética:

Acostado aos autos
Juntado ao processo; enviado.
Em epígrafe
Repita o número: "o processo nº 2026/0318".
Facultar
"Você pode".
No prazo legal
A data: "até 30/11/2026".
Outrossim
Além disso; também.
Pleito
Pedido.
Restou constatado
Verificamos que; faltou.

Cuidado com a simplificação que muda o sentido. "Indeferido" e "arquivado" não são a mesma coisa, assim como "suspenso" e "cancelado". Quando o termo técnico tem efeito próprio, mantenha o termo e explique em seguida: "Seu pedido foi arquivado, ou seja, ...". Na dúvida, confirme com o setor responsável.

Checklist de linguagem simples

  • A primeira frase diz o resultado ou a informação principal.
  • O leitor sabe, ao final, o que deve fazer e até quando.
  • As frases têm uma ideia cada e estão em ordem direta.
  • Cada parágrafo trata de um assunto.
  • As siglas aparecem por extenso na primeira vez.
  • Termos técnicos necessários estão explicados.
  • Passos, documentos e prazos estão em lista.
  • Os prazos são datas, e não "prazo legal".
  • A norma está citada pelo número, e não como "legislação pertinente".
  • Há um canal de contato para dúvidas.
  • O texto segue o manual ou o guia de linguagem simples do órgão, se houver.
  • Alguém de fora do setor leu e entendeu.

Dúvidas frequentes

A lei de linguagem simples vale para municípios?

Sim. A Lei 15.263/2025 se aplica aos órgãos e entidades da administração pública direta e indireta de todos os Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Cada ente pode definir diretrizes complementares.

Linguagem simples vale para documentos internos?

A lei trata da comunicação com a população. Ainda assim, as mesmas técnicas tornam despachos, memorandos e comunicados internos mais rápidos de ler e de cumprir.

Posso deixar de citar a lei para simplificar?

Não é o caminho. O fundamento continua necessário. O que se pode fazer é citar a norma pelo número e acrescentar uma frase dizendo, em palavras comuns, o que ela exige.

Linguagem simples deixa o texto menos formal?

Não necessariamente. O texto continua impessoal, respeitoso e com as partes formais do documento. O que sai é o excesso: rodeios, repetições e expressões que o leitor não entende.

Existe um tamanho máximo de frase?

A lei fala em frases curtas, sem fixar um número. Alguns guias de órgãos públicos sugerem limites. Se o seu órgão tiver guia próprio, siga o que ele indica.

Vocês mudam o conteúdo da decisão ao reescrever?

Não. A revisão muda a ordem, as frases e as palavras, sem alterar fatos, decisões, prazos ou fundamentos. O que depende de confirmação é indicado para o setor responsável validar.

Quando vale uma revisão externa

Quem trabalha com o assunto todo dia não estranha "em epígrafe" nem "restou indeferido". Uma leitura de fora, feita do ponto de vista do cidadão, encontra o resultado escondido, a frase que ocupa um parágrafo inteiro e o prazo que não é uma data.

O serviço de revisão de documentos administrativos e ofícios reescreve respostas, notificações, comunicados e ofícios com a formalidade que cada documento exige e com as técnicas de linguagem simples, sem alterar fatos, dados ou decisões. Junto com o texto, você pode enviar até 3 documentos de orientação, como o guia de linguagem simples ou o manual de redação do seu órgão. A revisão segue esses documentos e, quando eles divergem da regra geral, vale o que o órgão adota. Para uma conferência rápida de um texto pronto, há a Revisão de documento administrativo no app Análise Digital. Se o mesmo tipo de resposta sai todo dia, a padronização de modelos e rotinas de documentos leva a linguagem simples para o modelo.

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Quer seus textos ao cidadão mais claros?

Envie o texto e, se houver, o guia de linguagem simples do seu órgão. A análise indica o que será feito, o prazo e o valor por escrito. Não tem custo e não gera contratação.

Conteúdo informativo, elaborado a partir da Lei 15.263/2025 (Política Nacional de Linguagem Simples), da Lei 13.460/2017 (art. 5º, XIV) e da Recomendação 144/2023 do Conselho Nacional de Justiça, consultadas em outubro de 2026. Os exemplos são fictícios. Cada ente e cada Poder podem ter diretrizes complementares, e decisões, prazos e fundamentos são de responsabilidade do setor competente.